Entre os cinco baristas que encontrámos em Lisboa e no Porto, há quem desenhe corações em cappuccinos, quem tire expressos e quem os transforme em cocktails. Aprenderam-no com a CCC Barista Academy by Delta Cafés, projeto pensado pelo Grupo Nabeiro para difundir a cultura do café, elevar a qualidade das bebidas e apoiar quem trabalha com a marca. A estes profissionais, lançámos o desafio de preparar uma bebida de café à sua escolha. O resultado são cinco histórias, cinco balcões e cinco formas diferentes de olhar para o café, da mais clássica à mais inesperada.

Iced Nutella Expresso



O Quiosque do Café, no centro do movimentado Time Out Market, é o ponto de partida para muitas visitas e o fecho perfeito para outras tantas: serve milhares de cafés por semana. À frente das operações está Tiago Costa. “Somos parceiros da Delta Cafés desde sempre”, garante. A relação é longa e próxima, com direito a formações regulares. 

Tiago recorda as primeiras: “Foram as formações Expresso Perfeito, mais rápidas, para garantir consistência. Fiz várias ao longo dos anos e foram muito úteis, ia sempre aprendendo alguma coisa nova e inspirava-me a ser criativo, descobrir novas possibilidades.” Em 2019, fez um Master Café de seis dias intensos, entre teoria, prática e visitas técnicas, onde aprendeu sobre emulsões, leites e xaropes, mas também sobre gestão de negócio, de equipa e de fornecedores. “Abriu-me horizontes”, diz.

É Tiago quem desenvolve grande parte das bebidas sazonais do quiosque, muitas vezes em colaboração com a restante equipa. Algumas tornam-se tão populares que passam a integrar a carta fixa. “É a oportunidade que temos para brincar um bocadinho.” Um bom exemplo de experimentações que correram bem é o Iced Nutella Expresso. É composto por uma dose dupla de café expresso, uma colher generosa de Nutella, três ou quatro pedras de gelo e um toque final de noz moscada – tudo triturado até ficar em creme. Antes de servir, o toque final: Nutella barrada no interior do copo. “Para o cliente sentir primeiro o sabor do chocolate na boca.” 

No verão, a bebida fria tem-se revelado um sucesso. A versão quente, servida apenas nos meses mais frios, aproxima-se de um mocha de Nutella, com notas de avelã pronunciadas. Mais do que receitas, o que Tiago retém das formações é a confiança técnica para evoluir. “Há esse acompanhamento, ao longo dos anos, que faz a diferença.”

 

Latte de pistácio

A icónica pastelaria Suíça, aberta desde 1922, havia fechado portas em 2018 – mas eis que regressa, mais pequena, para dar continuidade à marca a uns metros do lugar original. A montra que corre o espaço ao comprido, à esquerda de quem entra, dá a conhecer as estrelas da pastelaria de fabrico próprio: os jesuítas, os duchesses, os russos, os esquimós, os babás, além de miniaturas e bombons e, claro, uma ampla variedade de salgados. Para acompanhar, a carta de bebidas tinha de estar à altura. É aí que entra Keth Miguel Glória, chefe de balcão da Primefood, grupo responsável pela reabertura da Suíça. É ele quem implementa as novas bebidas que vão surgindo na carta, que dá formação à equipa e que garante a qualidade em toda a cafetaria.

Em 2025, recebeu formação com a ccc Barista Academy by Delta Cafés. “Foi um dia de muita informação, com parte teórica e também prática”, recorda. Decifraram-se as bebidas de café, das mais simples às mais complexas. “Foi muito útil. Havia algumas coisas que eu fazia de forma incorreta, sem saber, e aprendi a fazer da melhor forma possível. Havia também conhecimentos teóricos que não tinha e que fazem a diferença na preparação das bebidas. Notei muito essa diferença em mim, depois da formação.”

Na carta da Suíça, composta por 17 bebidas com café, sobressaem alguns exemplos mais elaborados: o cookie cappuccino, o ice vanilla latte e o latte de pistácio, uma das mais populares do momento. “Sai bastante”, garante Keth Miguel, enquanto prepara com mestria a bebida para a fotografia. As camadas de xarope de avelã, leite emulsionado e café ficam finalizadas com o topping de pistácio quebrado. O nível de doçura está nas mãos do cliente: se mexer muito, o xarope na base da bebida espalha-se por inteiro e por igual; se for mais comedido no movimento, a doçura vai-se intensificando a cada gole. ​

Mocha

No edifício do Museu do Chocolate, o Vinte Vinte Café é um refúgio acolhedor para dias que pedem conforto. Aberto a todos – mesmo a quem não visita o museu –, o espaço convida a entrar num universo movido a chocolate: há bombons, trufas, bolachas, chocolate quente cremoso, cookies, brownies e uma grande variedade de doces, bolos e  sobremesas. Para completar a oferta, já se adivinha: onde há bom chocolate, tem de haver bom café.

É no Vinte Vinte que trabalha Aleida Coelho. A cafetaria não lhe é estranha: está há alguns anos ligada à restauração e teve já uma formação com a Delta. Uma manhã dedicada a cafés expresso, a cappuccinos e aos mistérios da espuma de leite e dos desenhos que nela se fazem. Ainda assim, sente que há muito por explorar. “Agora que estou inteiramente dedicada a esta área, gostava de ter mais formações com a Delta, para aprender a fazer mais tipos de bebidas e desenhos mais elaborados.”

A bebida escolhida para representar o Vinte Vinte Café é o mocha. “Escolhi o mocha porque é uma das mais chamativas e, também por isso, uma das minhas preferidas”, explica Aleida. A construção é cuidadosa: uma base de chocolate, seguida de café, espuma de leite e chantilly no topo. “O café deve ser colocado muito lentamente, com atenção, para não se misturar com o leite”, explica enquanto faz o movimento quase em câmara lenta. O chantilly é aplicado a partir da borda do copo, em movimentos circulares, até fechar a bebida. Serve-se com uma bailarina, colher alta, ideal para misturar as camadas. Intensa e reconfortante, não é a bebida que sai mais no dia a dia, mas tem o seu público. “Os gulosos apreciam muito”, ri Aleida, que confessa pertencer ao clube.<div style=”padding:56.25% 0 0 0;position:relative;”><iframe src=”https://player.vimeo.com/video/1171720922?h=c05fe69c47&amp;badge=0&amp;autopause=0&amp;player_id=0&amp;app_id=58479″ frameborder=”0″ allow=”autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share” referrerpolicy=”strict-origin-when-cross-origin” style=”position:absolute;top:0;left:0;width:100%;height:100%;” title=”DDD. Tiago Costa, Quiosque do Café – Time Out Market Lisboa”></iframe></div><script src=”https://player.vimeo.com/api/player.js”></script>

Cocktail de café com macieira

Catarina Drumond é uma das barmaids que compõem a equipa do bar gastronómico criado por José Avillez, o Mini Bar. A sua atenção divide-se entre cocktails, cafetaria e serviço de bebidas. Apesar da experiência de bar, até há pouco tempo nunca tinha tido formação específica em café. “Fiz uma formação em 2025 com a Delta, dada no Mini Bar, para várias equipas nossas, inclusive do Belcanto e do Encanto” (outros restaurantes do grupo). O workshop abordou as origens do café, os diferentes tipos de extração, a limpeza de máquinas, a intensidade dos grãos e ainda noções gerais sobre café. “Achei incrível. Havia muitas coisas que eu nem sabia que não sabia”, brinca.

Houve exercícios de identificação de aromas, provas olfativas com grãos antes e depois da torra e uma forte componente de rotina e manutenção. “Aprendi mais do que estava à espera. Nunca tinha pensado que o tempo de torra podia alterar tanto os sabores dos cafés, por exemplo.” A abordagem prática e acessível marcou a experiência, mas, mais do que técnica, a formação despertou curiosidade. “Depois desse dia, andámos a provar diferentes tipos de café em equipa, para percebermos juntos as diferenças.” 

Ainda que a carta de café do Mini Bar seja essencial, há espaço para cruzamentos com o universo da coquetelaria. Um dos exemplos é o cocktail de café com Macieira – criado a partir do popular Expressotini, o expresso martini da casa. A ideia foi acrescentar um elemento português e transformar o café num digestivo. “É quase como uma sobremesa”, descreve Catarina, enquanto agita vigorosamente o shaker. A receita junta café expresso duplo, Macieira Cream, um toque de conhaque, agave e uma pitada de sal, tudo bem envolvido. O resultado é uma bebida equilibrada, cremosa, com um toque doce, mas não enjoativa, perfeita para beber depois de jantar, quiçá no lugar de um café expresso.

Latte

Entre sobremesas vistosas, pastelaria de autor e clássicos reinventados, o Suspiro, no centro histórico de Vila Nova de Gaia, tornou-se conhecido pelas sobremesas trabalhadas. “É uma cafetaria com pastelaria francesa e também gastronomia portuguesa”, resume Eveline Tavares. “As sobremesas francesas são o que sai mais, mas os pastéis de nata e bolo de arroz também fazem sucesso.”

Eveline trabalha no Suspiro há dois anos e meio e divide o tempo entre a pastelaria e a preparação da mise en place dos doces. É também uma das mãos por trás das bebidas de café servidas diariamente. No verão de 2025, recebeu a sua primeira formação com a Delta Cafés. “Aprendemos a fazer cappuccino, latte art, affogato e lattes com sabores, como caramelo, chocolate e morango”, conta. O barista da ccc Barista Academy by Delta Cafés impressionou. “O que mais me surpreendeu foi o desenho nos cappuccinos. Nós não conseguíamos mesmo fazer aqueles corações nem aqueles desenhos como ele.” Com a prática, a técnica foi-se afinando. “Foram algumas tentativas até perceber como trabalhar o leite. Depois, até se torna fácil. Passei a fazer aqueles desenhos diariamente.”

A escolha do latte não foi ao acaso. “É bonito e envolve alguma técnica”, explica. Para Eveline, um bom latte começa no leite, bem texturizado e acentuado no copo, segue com o café na proporção certa e termina com a espuma, que permite o desenho final. Curiosamente, não é apreciadora de café simples. “Não gosto de café”, admite, entre risos. “Só gosto de cafés com sabores. Esses, sim!” 

Assim como as sobremesas que dão cor ao Suspiro, também o latte que Eveline prepara é pensado para ser visto antes de ser bebido. A técnica e a precisão encaixam na filosofia do espaço: suspirar primeiro, provar depois.