Em comum, entre eles, o facto de darem uso aos licores que se produzem em Campo Maior desde 1932.
São 66 receitas de cocktails com Anis Dómúz Seco, Doce ou Mel Damas, de 66 autores, distribuídas ao longo de 140 páginas, numa edição bilingue editada pela Sociedade Dómúz Lda. O arranjo gráfico foi de Francisco Cota, tendo a impressão decorrido na gráfica Mirandela & Cª, em Lisboa.
O ano exato de publicação é incerto, mas o livro dá-nos algumas pistas. Para começar, o número de telefone da fábrica de Campo Maior tem apenas cinco dígitos, e para ligar ao escritório de Lisboa já seria necessário rodar o disco do telefone por seis vezes. Daqui infere-se que já terá uns aninhos. Década de 1960, talvez 70?
Outra pista relevante surge nos nomes de alguns cocktails. Eis três exemplos particularmente sugestivos:
“Democracia”, de Armando da Rocha Gonçalves.
½ Anís Dómúz doce, ½ brandy e 2 gotas de peppermint verde batido no shaker.
“Liberdade 74”, de José Ribeiro Soares.
½ Anís Dómúz doce, ½ conhaque, 1 rodela de laranja, 1 de limão, encher com soda e colocar no topo uma rodela de laranja com cereja.
“25 de Abril”, de José Pinto.
⅔, Campari, ⅓ Anís Dómúz doce, ⅓ sumo de laranja, batido no shaker e decorado com uma rosa vermelha.
Tudo aponta, assim, para o período pós-revolucionário. Afinal, foi entre as décadas de 1960 e 80 que a Dómúz teve o seu auge. Sob gestão da Adega Mayor, foi agora alvo de um rebranding, estando as duas versões atuais – Amêndoa Amarga e Café – disponíveis em novas garrafas e com nova imagem gráfica.



