Mais do que uma pastelaria, uma instituição regional. A centenária Casa do Pão de Ló de Alfeizerão, no município de Alcobaça, é ponto de encontro, pausa obrigatória de viajantes e guardiã de uma receita que atravessou gerações.

Viagem no tempo

A história revela-se no próprio espaço. Pelas paredes há fotografias antigas e memórias, quer de família quer do negócio. O mobiliário mantém-se fiel aos anos 40, acompanhado de azulejos da mesma década, criados na Fábrica Aleluia, com pinturas à mão de cenas típicas da região – da pesca à agricultura, do artesanato às danças tradicionais.

 

De geração em geração

Helena Monteiro de Castro, a proprietária, comprou o negócio à família fundadora – duas irmãs sem descendência, guardiãs das receitas originais – há mais de 30 anos. “Os nossos clientes sucedem-se, de geração em geração. Mantemos as tradições e temos um conceito muito familiar”, explica. “Vamos renovando apenas o que é necessário, porque queremos continuar fiéis às nossas origens.”

 

Qual GPS

Duas figuras vestidas a rigor de empregados e colocadas à beira da estrada costumavam sinalizar o local. Hoje são relíquias guardadas no interior porque ao fim de 100 anos não há quem não saiba onde fica a Casa do Pão de Ló de Alfeizerão. Sem igual no resto do país, justifica os muitos desvios a meio de uma viagem para adoçar a boca.

 

Nas bocas do mundo

Em 2020, o pão de ló de Alfeizerão apareceu no programa televisivo Gordon Ramsay: Uncharted. Desafiado a aprender a receita do bolo, o chef britânico tentou a sua sorte. “Não teve grande jeito”, diz Sílvia com um sorriso, a mestre pasteleira que trabalha na casa há três décadas. Ainda hoje, a reportagem traz visitantes dos quatro cantos do mundo.

 

Bolos do dia

O balcão à entrada apresenta o quotidiano da casa. Além do afamado pão de ló, produzem-se diariamente pastéis de nata, queijadas, barquinhos de doce de ovos cobertos de chocolate, trouxas e empadas de galinha – o segundo bestseller da casa. Mais à frente, na montra do balcão, as caixas verdes denunciam a estrela da companhia: o pão de ló cremoso, feito sempre pela manhã, em três tamanhos diferentes.

 

Parceria de futuro

O café nem sempre foi Delta. A mudança aconteceu há meia dúzia de anos e não passou despercebida aos clientes habituais. “Escolhemos a Delta Cafés por ser uma marca de prestígio, com um nome a defender, tal como nós”, explica Helena, para quem é prioritário assegurar a qualidade dos produtos. “Temos orgulho na nossa história, mas o passado fica para trás. Temos de olhar é para os próximos 100 anos.”