Ponto de encontro de locais e estrangeiros, encantou miúdos e graúdos com a melhor doçaria tradicional. De portas fechadas desde a década de 80 do século passado, reabriu em fevereiro de 2026 com nova gerência. No primeiro andar da casa fica o novíssimo Museu do Bolo de Mel.

Recordar é viver

Quase 190 anos depois, dos tempos da fundação da Confeitaria Felisberta, na outrora movimentada rua das Pretas, restam apenas a fachada do edifício, agora recuperada, dois fornos a lenha usados para decoração, e o chão de pedra, testemunhos da sua história. Os antigos armários de mercearia, verdadeiros mostruários dos bolos que ali se confecionavam, inspiraram os móveis onde hoje se guardam diferentes variedades de broas da Madeira.

 

Um negócio de mulheres

O nome Felisberta é sinónimo de dedicação, orgulho e legado. Numa altura em que a liderança feminina era praticamente inexistente, a Confeitaria Felisberta era comandada por mulheres. Começou com Felisberta Rosa, fundadora da casa, que a entregou à sobrinha Felisberta Rosa Xavier. O negócio passou depois para Georgina e, mais tarde, para Martiniana Machado, sua sobrinha e afilhada.

 

Breteretes, cornucópias e muito mais

Embora não tenha sido possível recuperar o receituário da casa, famosa pelas queijadas e pelos bolos de mel, entre outros, há doces, produzidos à frente dos clientes, que continuam a adoçar gerações. Como os breteretes, com base de bolacha, farinha de amêndoa, coco, mel de cana, nozes, açúcar mascavado e cacau em pó, e as cornucópias com creme de pasteleiro e chantilly, que fazem parte do imaginário das crianças dos tempos áureos da Felisberta.

 

Das famílias do Funchal à Imperatriz Sissi

Muito frequentada pelas famílias do Funchal, “que desciam a rua a pé depois da missa de domingo, na Igreja de São Pedro”, conta Bruno Nunes, diretor do Museu do Bolo de Mel e da Confeitaria Felisberta, que foi também poiso de membros da realeza. Entre eles, a imperatriz Isabel da Áustria, “Sissi”, que tem na loja um doce em sua homenagem. A Tiara da Princesa Sissi tem ovos moles, frutos secos e feijão-branco.

 

O Bolo de Mel é digno de museu

Um bolo de mel e um café Delta antecipam a visita ao Museu do Bolo de Mel, instalado no primeiro andar do edifício. Interativo, conta a história de um dos produtos mais emblemáticos da gastronomia madeirense através de documentários, jogos, experiências sensoriais e workshops. “Construímos uma narrativa, no digital, para contar a história de um produto que é muito típico de cá”, explica César Cunha, proprietário.