Rita Nabeiro convidou Fernando Mendes para uma conversa sobre o seu percurso no teatro e na televisão, sobre a família de origem e a que formou, sobre passado, presente e futuro. O ator, que confessa fugir de entrevistas sempre que possível, entregou-se a esta com toda a genuinidade que lhe é característica.

Começou a apresentar O Preço Certo em 2003. Como foi na altura? Que expectativas tinha?

A expectativa era não fazer este programa. Apresentador nunca fui, nem queria ser, nunca na vida me passava isso pela cabeça. Então, quando me convidaram para O Preço Certo, fugi.

 

Eu também tentei fugir deste papel… [risos]

Pois, a gente quando olha para estas coisas, foge. Eu disse que estava não sei onde, mas encontraram-me e tiveram uma conversa comigo, perguntaram, se queria fazer um casting. E eu: “O que é isso, um casting?” Eles: “É uma prova.” Lá fiz o tal casting, mas à minha maneira. E fiquei. Fiz um contrato de três meses e estou lá há 22 anos. Comecei logo a ver que não podia ir pelo caminho de apresentador, que não o era. Comecei a ver que tinha um público à minha frente, algo importante para um ator que faz revista, como eu fazia na altura. Os primeiros dias foram dramáticos. O programa tinha 50 minutos e eu aos 30 minutos já estava quase a acabar. “Agora o que é que eu vou dizer?” Não tinha aquela coisa no ouvido para me dizerem algo nem tinha teleponto, não tinha nada…

 

Como fazia?

Já não me lembro, mas sei que suava! Usava uns fatos muito escuros na altura, era mais gordo, tinha para aí 120 quilos, então suava, suava… Os primeiros dias foram dramáticos. Depois, lá consegui entrosar-me. A equipa é extraordinária e é quase toda a mesma desde essa altura. É o programa da minha vida.

 

Há uma fórmula de sucesso para continuar com esse entusiasmo, passados 22 anos?

É um programa nosso, tem muito a ver com o país real, e o público que lá vai todos os dias é diferente e é o nosso povo, de norte a sul. Vemos ali desde médicos a, infelizmente, muitos desempregados. Gente de idade vê muito este programa, mas também estão a aparecer muitos jovens, a ver e a participar, o que é ótimo. Jovens porquê? Porque eram “obrigados” a ver o programa com as avós antes de irem fazer os deveres. É engraçado. Como não sou apresentador, acho que a solução foi fazer aquilo o mais simples possível e tratar as pessoas por tu, e elas tratarem-me por tu também. Haver ali uma parte familiar entre concorrentes, espectadores e eu.

 

Tem algumas histórias de personagens marcantes que possa partilhar?

Lembro-me de um alentejano com quem tive esta interação: “O que é que fazes da vida? Estou desempregado. O que é que fazias antes? Nada!” E já me trouxeram tanta coisa engraçada: desde galos, sapateiras ou lagostas vivas, uma chanfana feita que é só aquecer… além das bandeirinhas das juntas de freguesia e da câmara municipal. Aquilo é bom para fazer espetadas, porque é tanta bandeira…

 

O Fernando entra pela casa das pessoas todos os dias. Na rua, toda a gente o conhece. Quando o abordam, sente-se incomodado ou contente? Há momentos em que gostava de passar mais despercebido?

Não. Quando existem esses momentos, é melhor não sair de casa.

 

 

 

Ouça abaixo a entrevista na íntegra

Fernando Mendes e Rita Nabeiro

Sei que é uma pessoa acarinhada.

Bastante! Sem vaidade, sim. Mais fora de Lisboa vê-se o carinho que as pessoas têm por mim. Se não estou bem-disposto, então não saio e ninguém sabe se estou aqui ou ali. O Preço Certo é realmente o programa que me faz ter esta popularidade. Já tinha alguma, mas este foi o programa mais importante da minha vida. E agora já não me pedem autógrafos, pedem selfies.

 

As redes sociais mudaram a relação com o público?

Acho que as redes sociais são importantes, mas não ligo. Tenho uma pessoa que me trata dessas coisas todas. Para os meus espetáculos, se calhar é mais importante, porque ando pelos teatros todos do país.

 

Ainda lhe dá gozo fazer espetáculos?

Dá, é ótimo. Na minha profissão, do que gosto é de ter o público à minha frente. Agora não tem acontecido, mas havia sítios em que o público não aparecia: estavam três filas e tínhamos de fazer na mesma [o espetáculo]. Mas tenho muito prazer em andar pelo país. Estás a dizer uma piada hoje, aqui, e se calhar com a mesma piada, noutra terra a 400 quilómetros, ninguém se ri. Tem de haver um jogo de cintura para isso, para se sentir a gargalhada do público.

 

Voltando à televisão, o público mudou ao longo destas duas décadas?

É engraçado que, neste programa, acho que não mudou nada. É mesmo um fenómeno. Quando fui para lá, este programa existia em nove países do mundo. Neste momento, só está na América, há 40 ou 50 anos, e no nosso país. Portanto, sinto que o nosso público quer aquilo. Acho que não mudou nada – e é bom, é ótimo.

 

Ainda vai entrar para o Guiness?

Não quero, deixem-me estar sossegadinho! Pode acontecer, mas não ligo muito a essas coisas.

 

Já o tentaram aliciar muitas vezes para sair da RTP… O que o faz ficar?

Primeiro, gostar muito daquilo. Depois, podia ser uma asneira muito grande sair de um programa de sucesso e ir para outro que, a esta hora, se calhar não estávamos aqui a conversar… Pensei isso muito bem pensado. Depois, há que ter respeito pelas pessoas que te veem há vinte e tal anos e pelas pessoas que te põem no ar durante estes anos todos. Foi por aí.

 

Receia que as pessoas possam esquecer-se de si ou deixar de o acarinhar?

Esta profissão sempre foi assim: infelizmente, desapareces e és esquecido. Há pessoas que já fizeram tanta coisa, foram muito conhecidas e, de repente, nunca mais se ouviu falar delas. Claro que tenho algum medo, mas vou tentar que isso não aconteça. É dramático ver colegas meus – pessoas muito queridas, muito conhecidas neste país – aflitos sem trabalho. É assim, é a profissão que escolhemos e temos de andar para a frente.

 

Há um lado glamoroso do artista, mas também há outro que não acompanha…

É o problema das audiências. Mas temos a Casa do Artista… Tiro o chapéu ao José Raposo e a muitos colegas. O Zé é uma figura extraordinária, é o melhor ator da minha geração, e tem aquele coração grande de ajudar essa gente.

O que significou ser condecorado pelo Presidente da República?

Senti um orgulho grande. Senti que o Presidente estava atento e que as pessoas que gostam de mim ficaram felizes de ver que eu tinha sido condecorado.

 

Mudou alguma coisa?

Zero.

 

Vê-se que é uma pessoa fiel aos seus valores e princípios.

Porque eu nasci neste meio, nasci neste mundo: no Parque Mayer. Nesta profissão, temos de ter os pés bem assentes na terra. Sei de onde vim: porque o meu pai era do teatro. E vi as dificuldades quando o meu pai lá estava e depois quando fui eu. Para lá da dificuldade de ser filho de quem sou. Nunca estudei teatro, não tenho nada de conservatórios. Tive de ir aprendendo com os grandes, para ir subindo os meus degraus, pouco a pouco. Só comecei a ser mais conhecido numa revista, da qual vocês [Delta Cafés] eram patrocinadores, que era A Prova dos Novos. Foi a nossa revista de lançamento, a dos atores novos: a Marina Mota, o Carlos Cunha, eu, o José Raposo, a Maria João Abreu, a Vera Mónica, o Carlos Ivo. Deram–nos uma oportunidade e foi um sucesso. E havia um final muito engraçado, que era da Delta, com uma música… e um miudinho que entrava a fazer de grão de café. Foi aí que tive o prazer de conhecer o senhor Nabeiro.

 

Em que ano?

Foi em 1986 ou 1987. O senhor Nabeiro ficou-me logo no coração. Houve uma empatia muito grande. Ele também gostou de mim. Não éramos grandes amigos, mas, passados uns tempos, falávamos regularmente.

 

O Fernando estava no início de carreira.

Sim. E acho que o senhor Nabeiro me ofereceu duas chávenas de café e tudo.

 

Tem ideia de se, na altura, ele já era assim uma figura que…?

Já era!

 

Eu tinha uns cinco anos.

Quando entrou para ver o ensaio… “Ei, espera que vem aí o senhor Nabeiro!” Sempre com a sua gravatinha, sempre bem vestido, sempre um senhor. E ao longo dos anos ele estava sempre igual, sempre com aquele dom de ajudar as pessoas, de ser querido, muito atento. Tenho coisas que me ficam na memória. A última foi quando a minha mãe morreu, para aí há cinco anos, em que recebi um telegrama em casa. Pensava que os telegramas eram algo que já tinha acabado. De quem era o telegrama? Do senhor Nabeiro, a dar os sentimentos. E no Natal falávamos, ele tratava-me por: “Amigo Fernando, está tudo bêm? Então quando é que cá vem?” Às vezes ia lá ter com ele.

 

Sim, ele também gostava muito de si.

Ia a um hotel que vocês tinham onde havia um bacalhau extraordinário. Tinha sempre aquele carinho de me levar a visitar a fábrica ou os vinhos ou o Museu do Café. Aquele museu é uma coisa à séria e à grande, parece que estamos na América. É de visitar, o Centro Ciência do Café, em Campo Maior.

O espetáculo A Prova dos Novos, no final da década de 1980, foi patrocinado pela Delta Cafés.

Tenho muito prazer em andar pelo país. Estás a dizer uma piada hoje, aqui, e se calhar com a mesma piada, noutra terra a 400 quilómetros, ninguém se ri. Tem de haver um jogo de cintura para isso, para se sentir a gargalhada do público.

Voltando ao teatro e aos anos 80. Começou por causa do seu pai.

Porque o meu pai era ator, eu e os meus irmãos íamos ao domingo ao teatro, víamos a matiné, depois jantávamos com ele e vínhamos para casa, que no dia seguinte havia escola. O meu pai morreu no mês de abril e eu entrei no teatro seis meses depois, no Parque Mayer, mas não comecei logo como ator: comecei por ir às compras, a engraxar sapatos, a pregar pregos, a colar cenários, a fazer essas coisas todas.

 

Com que idade?

Com 17 anos. Eu tinha muita gracinha, mas em casa. Quando vais para o teatro, as coisas são muito diferentes. Pensas que é igual, mas não tem nada a ver. Eu era ajudante de contrarregra, que eram as pessoas que trabalhavam nos bastidores, que arranjam as coisas todas, e à noite fazia umas pontinhas no teatro, uns sketchezinhos. Mas quando a cortina sobe, na estreia, no dia 15 de novembro de 1980, está agora a fazer 45 anos, e vejo 800 pessoas na plateia… Não correu muito bem. Eu estava nervoso. Foi um sufoco enorme.

 

Não deve ter corrido assim tão mal, porque continuou. [risos]

Continuei a levantar-me às nove da manhã para engraxar os sapatos. Fazia teatro à noite, duas sessões. Acabávamos à uma ou às duas da manhã. Às dez, já tinha de estar no teatro para resolver esses problemas, dos sapatos das bailarinas, dos cenários que se rasgavam… Foram tempos muito duros. E ainda bem.

 

O Nico D’Obra, que estreou em 1993, marcou-o muito?

Foi a comédia que mais gostei de fazer na vida, com o Nicolau [Breyner]. Porque aprendi muito, mas também porque disse ao Nicolau: “Olha que eu nunca fiz comédia, ajuda-me.” Ele disse-me assim: “Isto tem 25 minutos. Se te enganares, dizes outra coisa, não te preocupes. Vamos embora, que eu tenho de ir para Serpa!” Adorei fazer aquela comédia, ele deixou-nos todos à vontade. Foi um sucesso tão grande.

 

O teatro e o Parque Mayer continuam a ocupar um lugar especial?

O Parque Mayer infelizmente já não é o que era antigamente. Sou do tempo – e no tempo do meu pai então! – em que estavam os quatro teatros a trabalhar e passavam por ali umas quatro mil pessoas por dia. As coisas mudaram muito. Tínhamos 12 ou 15 restaurantes, se calhar até mais, e hoje temos um. Agora ando mais pelo país do que propriamente em Lisboa. Vou de vez em quando à Casa do Artista, porque acho que é importante nós, atores, irmos ajudar os artistas.

Fernando Mendes seguiu o percurso do pai, Vítor Mendes, e iniciou-se como ator aos 17 anos.

Houve alguma personagem, dentro de todos os papéis que representou, que o tenha marcado de forma especial?

Eu ponho uma cabeleira e um bigode, mas sou sempre eu. Às vezes, tenho de fazer de mulher e faço voz de mulher, mas não deixo de ser eu. Se queres que te diga, não sei o que gostei de fazer mais… Se for ver bem o que fiz, se calhar é sempre o mesmo, é verdade, mas foi o caminho que escolhi.

 

É uma personagem. Faz de si próprio. [risos]

Exatamente! Sou eu, com cabeleira, bigode, chapéu. Agora, aprendi muito com um senhor chamado Eugénio Salvador. Era o Charlie Chaplin de Portugal. Fui beber muito às coisas dele. Ele fazia sempre a mesma coisa: era o Salvador, com aqueles tiques. Não inventei nada: fui beber aos atores que me ensinaram, que me ajudaram.

 

E o seu pai?

O meu pai, quando morreu, estava a começar a ser ator-ator. Ele era muito popular, as pessoas gostavam muito dele, ia na rua e era um sucesso. O meu pai ficou conhecido por um anúncio de televisão, o que hoje é praticamente impossível – mas também só havia um canal, na altura. Eram os sapatos climatizados Campeão Português. Foi um sucesso. O meu pai faleceu quando ia fazer uma peça no teatro abc. Morreu com 42 anos, muito novo, com quatro filhos… Não foi nada fácil, mas é a vida.

 

Ainda há muita saudade?

Bastante. Porque era um bom pai. Não era muito presente. Nós estudávamos de dia e ele dormia de dia para ir trabalhar à noite; então, havia pouco tempo. A minha mãe foi uma grande mãe, uma grande senhora, a aturar estes quatro índios. Mas simpáticos, uns índios simpáticos. Mas foi duro.

 

Dentro dos quatro, qual deles…?

Talvez o meu irmão mais novo seja o mais certinho.

 

O Fernando é qual, o mais velho?

Sou o segundo. Somos três rapazes e uma rapariga.

 

Diz que os seus dois filhos nasceram no mesmo dia à mesma hora. Como é que é isso?

Digo e é verdade! Aconteceu. Nasceram a 20 de maio, à 1h20 da manhã. Ela tem 39 e ele tem 33. São uns miúdos extraordinários. Já são pais, veja bem: já sou avô.

 

Avô babado?

Babadozinho. Ao princípio, não pegava neles ao colo, que tinha medo de os deixar cair. Como pai também não pegava muito, e dar banho nem pensar, não consigo.

Lídia e Vítor Mendes com os quatro filhos – dos quais Fernando é o segundo.

O Fernando é conhecido por ser um bom garfo.

Sou, adoro comer. Adoro passar a minha vida nos restaurantes. Conheço uma data deles, tanto pelo país como em Lisboa, porque eu janto praticamente todos os dias fora. Vivo sozinho, não sei cozinhar. Nunca usei a minha cozinha: se quiseres um dia levar a minha cozinha, eu ofereço-ta. Não tenho jeito nenhum. Tenho lá umas coisas enlatadas…

 

Mas tem amigos com muito jeito e com restaurantes muito bons, por isso…

Exatamente. E adoro! Quando eu tinha os tais 120 quilos, era um exagero, eu ficava do almoço para o jantar quando não tinha trabalho, e comia tanto, tanto, tanto, que era mesmo para rebentar. Mas depois tive de ter cuidado com isso e fiz a tal operação para perder peso. Continuo a gostar das mesmas coisas, não como é tanto quanto comia antigamente. Adoro arroz. Favas não gostava e já comecei a gostar. Iscas também.

 

Tem um prato favorito, além dos arrozes?

O prato de que ainda gosto mais… Quando era miúdo, era o mais barato e que a minha mãezinha me fazia. Eu ia para o teatro com o termo. Era arroz de manteiga com ovo mexido. Adoro, é o meu prato preferido.

 

E onde é que se pode comer um arroz de manteiga com ovos mexidos?

Pede-se!

 

Pois, não está em nenhum menu.

“Faz-me aí dois ovos mexidos.” Quando não tenho muita fome, adoro, apetece-me, e depois vem-me à memória o antigamente. Depois, não sei, gosto de tanta coisa. [a cantarolar] Gosto de quase tudo e quase tudo não é demais!

Quando a minha mãe morreu, para aí há cinco anos, recebi um telegrama em casa. Pensava que os telegramas eram algo que já tinha acabado. De quem era o telegrama? Do senhor Nabeiro, a dar os sentimentos.

Fernando Mendes em palco, no Parque Mayer, na década de 1980.

Porque é que, de um momento para o outro, a saúde se tornou uma preocupação?

Comecei a pensar no meu pai. Ele morreu também devido ao excesso de peso, não sei quanto é que pesava, mas pesava muito. O meu pai comia, comia, comia. Às vezes, entrava em programas de televisão a comer. Porque era o tal ator popular, o ator gordo que comia muito. Ainda hoje, podem chamar-me gordo que eu não tenho problema nenhum com isso. Agora, estas coisas novas de não se poder dizer “gordo”, nem isto, nem aquilo, fazem-me muita confusão à cabeça. Então no teatro de revista… qualquer dia tem de acabar, porque não podes falar nisto, naquilo e naqueloutro. Bem, mas eu fiz essa operação porque comecei a pensar que estava um exagero. Custava-me a andar, parava sempre um bocadinho para me sentar. Foi por causa disso, para tentar estar cá mais uns tempos. Ele chegou aos 42, eu já cheguei aos 62.

 

Sente que ganhou qualidade de vida?

Ganhei. Mesmo a dormir, para respirar. A respiração era uma coisa impressionante, o cansaço era uma coisa impressionante, o suor… Era tudo mau. Agora, comia muito bem, que era o que mais gostava de fazer na vida.

De que é que gostava mais, apresentar ou comer?

De comer. Nessa altura, era sempre de comer.

 

Disse que, deixando de fazer O Preço Certo, não fazia sentido fazer mais televisão. Porquê?

Para já, porque estou a ver que o programa não acaba. Depois, porque não me estou a ver a fazer outro tipo de programa, não me estou a ver a estudar textos… Tive a sorte de ter sempre trabalho. Nunca pensei: “gostaria de fazer aquela coisa, aquele filme”. As coisas foram aparecendo. Se esta que me apareceu está no top da rtp, então deixa estar, não se mexe.

 

O que é um dia bom para si?

Acordar com os pés a mexer, que é sinal de que estou vivo. Tentar o mais possível ser feliz, estar com as pessoas de quem gosto. E chega-me perfeitamente, não quero mais nada.