O fenómeno começou há cerca de 25 anos. Nas feiras e festas onde a Delta marcava presença com uma banca de café, as saquetas de açúcar exibiam muitas vezes mensagens alusivas ao evento. Desde então, pouco a pouco, transformaram-se num importante suporte de comunicação, hoje requisitado por autarquias, ipss, escolas, organismos estatais e promotores para ajudar a espalhar as suas mensagens.

O verso é sempre reservado à imagem da Delta Cafés (ou da Camelo), mas a frente abre portas à criatividade. Em centenas de campanhas já se celebrou Camões, se incentivou a reciclagem e se divulgaram os mais diversos eventos. Por norma, as imagens, frases ou ilustrações são sugeridas pelas próprias instituições. A definição dos volumes e distribuição das campanhas é feita por uma equipa na área de inovação produtiva, liderada por Céu Sapateiro, que se dedica a esta área há mais de 20 anos – “sempre com validação da administração”, aponta. O processo inclui a aprovação de imagens, provas impressas à escala real e um fluxo logístico adaptado às necessidades regionais ou nacionais, porque, como explica Céu: “Não faz sentido promover em Aveiro um festival gastronómico que se realiza em Olhão”.

Amália nossa, 2009; Centenário de São Brás de Alportel, 2014; 100 anos de fado, 2004; Centenário Amália, 2020; A verdade do café, 2009; Pintores, 2014; Figo, 2002.

As tiragens impressionam. Uma campanha regional pode envolver 750 mil saquetas, cada uma com quatro gramas de açúcar – o equivalente a três toneladas de sensibilização. Já uma ação de âmbito nacional pode atingir 30 toneladas de açúcar, o que equivale a 7,5 milhões de saquetas. “Em ocasiões especiais, também já se fizeram campanhas com 60 toneladas”, diz. A quantidade de açúcar, essa foi encolhendo ao longo do tempo. “Começou por ser de nove gramas, há mais de 20 anos, e foi baixando até chegarmos aos atuais quatro”.

Paralelamente, há todo um universo de colecionismo onde erros de impressão ou cortes irregulares transformam uma saqueta vulgar numa variante rara e valiosa. Os colecionadores chegam a contactar diretamente a fábrica em busca de novidades, reúnem-se em encontros nacionais e alimentam trocas, vendas e acalorados debates em plataformas digitais. Prova de que uma simples saqueta pode ser, afinal, muito mais do que um invólucro de açúcar.