O quê

Chávena de descafeinado Delta

Quando

Finais dos anos 80 / início dos anos 90

Onde está

Centro de Ciência do Café, Campo Maior

 

Num país em que tomar a bica ou o cimbalino – enfim, o expresso – representava um ritual indispensável, a ideia de beber café sem cafeína precisava de ser explicada, justificada e, acima de tudo, promovida. Nos anos 80, Rui Nabeiro percebeu que havia um mercado por explorar no das pessoas que queriam o ritual do café sem as consequências da cafeína. E foi ao seu encontro, tornando a Delta Cafés pioneira em Portugal na comercialização de descafeinados. 

Para acompanhar a promoção do café sem cafeína, foi criada uma chávena especial azul-clara, a contrastar com o triângulo vermelho do logótipo da Delta Cafés, então em amarelo, ao que se acrescentou, num traço fino que dava a sensação de ter sido escrito à mão, a palavra “Lights”. Dois pormenores chamavam a atenção. Primeiro, o facto de encontrarmos uma discreta inscrição vertical no flanco da chávena. Impresso na porcelana em letras maiúsculas, lia-se: “não contém cafeína”. 

Segundo, o facto de ser oferecida em conjuntos de meia dúzia a quem comprasse 20 quilos de café, cevada, descafeinado ou outra referência do catálogo. Era uma forma de Rui Nabeiro fazer o que sempre soube fazer melhor: criar uma razão para o cliente voltar, e ao mesmo tempo presenteá-lo com algo que poderia ser usado todos os dias.

Esta chávena, produzida inicialmente pela Costa Nova, fabricante de cerâmica na região de Aveiro, reconhecida pela sua longa tradição no fabrico de louça utilitária e decorativa de qualidade, fez exatamente isso. Entrou nos estabelecimentos do país numa altura em que o descafeinado ainda procurava o seu lugar. Ficou ali, no balcão ou na prateleira, azul e discreta, com a sua inscrição a lembrar ao cliente que também havia outra opção – e que essa tinha a sua própria chávena.