O quê

Um dos primeiros trabalhos de Rui Nabeiro

Quando

Década de 1940

Em Campo Maior, nos anos 40, muito antes de fundar a Delta Cafés, Rui Nabeiro já aprendia, em criança, o peso do trabalho e do dinheiro contado. Filho de uma família humilde do Alentejo, cresceu num ambiente em que cada escudo fazia diferença ao fim do dia.
A mãe, Maria de Jesus, era analfabeta. O pai, Manuel dos Santos Nabeiro, aprendera a ler na tropa, o que lhe permitiu tirar a carta de condução e tornar-se motorista, profissão que exercia com uma entrega que o filho nunca esqueceu. Rui lembrava-o como um trabalhador incansável, disposto a sacrificar-se para garantir que, apesar das dificuldades, os quatro filhos – três rapazes e uma rapariga – iam à escola e tinham sapatos nos pés, um luxo raro na época.
Nesse contexto, o trabalho surgia menos como escolha e mais como necessidade. Desde cedo, Rui percebeu que nada se conquistava sem esforço e que qualquer tarefa, por modesta que fosse, podia ajudar a compor o rendimento da casa.
Em várias entrevistas que deu ao longo da vida, o senhor Rui contou que, ainda criança, aceitava biscates como pregoeiro ao serviço da Câmara Municipal. De papel na mão, atravessava as ruas até à praça, onde, em voz alta, recitava anúncios oficiais: notícias, arrendamentos, vendas que interessavam à gente da terra. “Aquilo dava uns escudos…”, dizia.
O biscate de pregoeiro não se destinava a luxos supérfluos ou passageiros: o dinheiro que ganhava era entregue à mãe, para aliviar as contas da casa. A experiência como pregoeiro, simples mas honrada, ajudou a moldar os valores e o sentido de responsabilidade que acompanhariam o Comendador Rui Nabeiro ao longo de toda a vida.