Há várias décadas nas mãos da família Oliveira, a Pastelaria Bijou cresceu sem perder o vínculo à tradição, afirmando-se através dos pampilhos, da doçaria conventual e por uma presença enraizada na vida da cidade. Entre memória, saber-fazer e continuidade, a Bijou é hoje uma casa emblemática do Ribatejo, com três lojas e uma fábrica.

Desde 1946

Cliente da Delta Cafés há seis décadas, a Pastelaria Bijou tem motivos redobrados para festejar: comemora este ano o seu 80.º aniversário. Não foi o pai de Paulo Oliveira o seu fundador, em 1946, mas foi ele quem, depois de chegar a Santarém, vindo de Vila Nova da Barquinha ainda muito novo, reconheceu o potencial da casa e acabou por comprá-la ao anterior proprietário, após dois anos a gerir o espaço. A Bijou pertence à família Oliveira desde então.

 

1, 2, 3 e uma fábrica

“Durante todos estes anos, a casa foi evoluindo”, conta Paulo Oliveira. E, acrescentamos nós, também se foi expandindo. Em 1986, ano em que ingressou no serviço militar, abriu a segunda Bijou. Há cerca de uma década nasceu a terceira, também em Santarém. “Temos três pontos de venda e uma fábrica na zona industrial da cidade. Tudo o que ali se produz destina-se exclusivamente às nossas lojas.”

 

Os pampilhos

De fabrico próprio, o produto mais popular e a imagem de marca da casa é o pampilho: um bolo enrolado com doce de ovos que é uma homenagem à vara do campino da Lezíria. Embora a marca esteja registada desde 1986, a receita não está protegida. “É uma receita muitas vezes imitada, por ser de fácil confeção, mas nunca igualada”. Vem em três tamanhos, da miniatura para acompanhar o café, à torta para ser fatiada e partilhada.

 

“Para levar, se faz favor”

“Produzimos quase o dobro ao fim de semana, porque muitos clientes compram para levar para casa ou para oferecer a familiares e amigos”, diz o proprietário. Também por isso se tornou necessário abrir pontos de venda fora do centro histórico, em zonas com melhor acesso automóvel e estacionamento. “Temos clientes que chegam a fazer desvios de 50 km para cá vir.”

 

Verões na esplanada

“Isto, antigamente, era um parque de estacionamento, até tem ali a antiga placa que eles não deixam arrancar”, diz Paulo Oliveira, referindo-se à Praça Sá da Bandeira, em frente da Sé Catedral de Santarém. É aí que fica a esplanada da Bijou, uma das razões de a pastelaria ter muito mais movimento no verão. “As pessoas vêm visitar a igreja, depois ao lado têm o Museu Diocesano, e acabam por fazer este percurso a pé pela cidade.” Pelo meio, param na esplanada para retemperar forças.

 

Do convento para a Bijou

No final dos anos 70, o pai de Paulo Oliveira procurava um bolo que se vendesse “às toneladas”. Encontrou-o no pampilho, então uma iguaria praticamente desconhecida. Hoje, é um dos doces conventuais históricos de Santarém à venda na Bijou, onde compete em popularidade com o celeste (do Convento de Santa Clara), o arrepiado (de amêndoa, do Convento do Almoster) e o omnipresente pastel de nata.